Já vai algum tempinho que a Tracy Thorne do EBTG dizia o refrão aí em cima numa música. Hoje, tudo isto é um fato: estamos numa década (um milênio?) retrô – referências retrô, músicas retrô, retrovírus. Não sei se é sintoma dos ciclos históricos, uma espécie de retorno de Saturno no planeta, mas parece mesmo que o peso de dois séculos fez com que nos virássemos, com rabo de olho, para o passado. Revisar é uma ordem. Realmente acho que a discussão nem é se isso é bom ou ruim, mas sim o que faremos de nosso passado quando ele é o futuro? O sample logo dizia a que veio: remake, excertos de algo já feito dentro de algo “original”. Daí pro uso de velhos referenciais foi um pulo: o gótico de Tim Burton, neo-expressionismo nas artes etc. Na literatura, Silviano Santiago e seu “Em liberdade” pode ser considerado um marco desta visada do “presente” com os olhos do passado. Não consigo enxergar nada disso como nostalgia (pelo menos nas melhores coisas feitas), mas uma reciclagem do monte cultural que nos foi imposto e/ou comprado. Parece mesmo que vomitamos o farto banquete dos séculos. E não me pergunte sobre o futuro.
* Quando ouvi o Portishead pela primeira vez pude avaliar o que era o presente sendo invadido pelo passado. A decrepitude gerada por aquela massa sonora inspirava um sonho fantasmagórico que lembrava algum futuro perdido, uma idéia de futuro perdido. Um disco pop tinha a força que depois descobri num Walter Benjamin, por exemplo.
* Banda típica dessa época, o Broadcast:
Um dia, seremos todos tropicalistas… de novo.
Bati.
