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ReVisão II (lado negro da força)

Postado em Uncategorized em Dezembro 23, 2009 por capitaobacardi

2009 também vai deixar saudades com esses momentos, digamos, surpreendentes…

Não sei o motivo de tanta celeuma em torno da Vanusa, acho que ela deu uma surpreendente releitura do Hino, à la Ella Fitzgerald, Leny Andrade. Apenas o público era o errado, se ela estivesse em Montreux seria ovacionada por sua interpretação de vanguarda…

A queda do ídolo…

Serei para sempre o melhor amigo de Britney e de Xuxa!

A inveja é uma merda, mona! “Com peruca ou sem peruca!”

Prefiro não comentar… perfeito!

Bati!!

ReVisão

Postado em Uncategorized em Dezembro 22, 2009 por capitaobacardi

Esse post é grande pra caber a reflexão de fim de ano (na verdade pra juntar aqui coisas de que eu gostei), então lá vai:

Hit(s) do ano: Pokerface/Paparazzi/Bad romance: qualquer antologia da década de 10 tem de trazer pelo menos uma dessas três, aposto em “Bad romance”.

Alguns Cds que ouvi mais de uma vez em 2009:

Veckatimest: Grizzly Bear

Merryweather Post Pavillion: Animal Collective

Confete e serpentina: Maria Alcina

New evolution: The age of love: The Sa-Ra Creative Partners Nuclear

Sem nostalgia: Lucas Santtana

Frascos, comprimidos, compressas: Ronei Jorge e os ladrões de bicicleta

Dark days/light years: Super furry animals

Monoliths & dimensions: Sunn O )))

No chão sem o chão: Rômulo Fróes

Junior: RöyKsopp

Machine dreams: Little dragon

Correnteza: Edu Krieger

Bitte orca: Dirty projectors

Pequeno cidadão: Pequeno cidadão

The crying light: Antony and the Johnsons

Atlântico negro: Wado

GAMES:

Call of Duty: Modern warfare 2

Street fighter IV

The sims 3

Batman: Arkham Asylum

Fear 2

Bati!!!

Street cred people

Postado em Uncategorized em Dezembro 4, 2009 por capitaobacardi

O termo-título meio que define a minha atração por determinados artistas. Um pouco como Proust pensava sobre Baudelaire: somente alguém que passou por determinadas coisas poderia escrever As flores do mal. Parece determinista, mas não é. Prefiro pensar numa intoxicação que a experiência provoca na arte, não sendo esta necessariamente um produto (consequência imediata) daquela.No caso, posto aqui um documentário de uma dessas “artistas”, a performer conhecida como “The Goddess”. The Goddess fez muitos filmes do circuito alternativo de Los Angeles, como o documentário mostra, além de ser na vida um performer, ou será que faz da performance uma vivência? The Goddess ficou famosa pela aparição no clipe de Marilyn Manson, “The dope show”, nos shows e em outro clipe do mesmo, “Apple of Sodom”, logo abaixo:

Antes disso, já era lenda. O documentário está todo disponível no You tube, posto o trailer e a primeira parte. Vale a pena ir até o final, principalmente na última parte, dedicada às declarações de The Goddess, que fazem o espectador descobrir enfim o que é ter “street cred”: toda aquela força de The Goddess, sua superação e delírio vem da pequena tragédia do estupro e da deformação. Somente quem passou por isso poderia ser uma deusa. Não vencida.

Ventriloquist

Postado em Uncategorized em Dezembro 2, 2009 por capitaobacardi

Parece que a mitologia migrou para as lendas urbanas nos nossos tempos. Antes somente orais, essas lendas ganharam a rapidez e o descontrole da internet a partir do aparecimento do you tube. Artistas são feitos da noite pro dia, descobertos imediatamente (para o bem e para o mal). E a farsa dá as mãos à genialidade. Num piscar de olhos. Num click.

Uma dessas figuras que mais me impressionou há pouco se chama Shaye St. John.  Sem esclarecer sua origem, seu gênero (?), Shaye, a criatura-criador se apresenta como um/uma boneco/a com voz em falsete histérico, em situações das mais nonsense, mais bizarras, até as mais assustadoras. Uns dizem ser mulher, outros, homem, outros, um(a) doente mental (esse seria um gênero?). Pouco (ou muito?) importa, o que temos é uma figura em que se misturam o ventriloquista e o seu boneco, criando um universo – realizado pelos muitos vídeos que “completam” a vida (?) de Shaye – entre a loucura e a desolação.

As cenas, em alguns momentos construídas com diálogos performáticos, naquilo que o termo possa ter de mais primal – a fala constroi um sentido-não sentido que só serve ali, para aquele momento, e ela elabora o próprio momento -, sugerem uma atmosfera infantil, pelo uso das bonecas, e ao mesmo tempo, estranha, no sentido mais ligado à própria infância, na sua aleatoridade, na fantasia da brincadeira e das narrativas que a criança constrói. Os possíveis e impossíveis sentidos vêm do “to play” da narrativa.

Muitos descrevem Shaye como uma modelo, uma artista, ou, como a própria se define, uma “estrela”. Obviamente, afetada pelo consumo, pela indústria espúria da beleza, pela escravidão ao fashion way of life. Shaye é a escatologia  fashion.

Shaye foi estrela de um filme, “Shaye & Kiki”, dirigido por Eric Fournier (se criador? “a” criatura?). Transformando-se em criatura, o criador de Shaye oblitera a humanidade ao assumir, na figura bizarra, um mais-humano, uma lembrança, uma sugestão tosca do humano, uma fantasmagoria.

Gaga ooh la la

Postado em Uncategorized em Novembro 12, 2009 por capitaobacardi

Me lembrou Prince, me lembrou “Express yourself” da Madonna, me lembrou “The dope show” do Marilyn Manson, me lembrou sofá de onça da casa da tia, me lembrou Calypso, mas é sensacional. Detalhe para a bailarina gordinha, o olhão de boneca e o final Amy Winehouse.

 

Bethânia bem bonita

Postado em Uncategorized em Outubro 25, 2009 por capitaobacardi

Bethânia rebola, dança ao som e ao sabor dos pandeiros, elegante canta o amor dolorido e vingativo, o derramado e o delicado, o amor de cantadora. Behânia é sublime com “Queixa”, “A dama do cassino”, “Serra da Boa Esperança”, arrebatadora com “Explode coração”, certeira e espirituosa com “É o amor” e “Vai dar namoro”. O palco de Bethânia é de rosas, é preto com luzinha crepuscular, é roxo com luzinha da manhã, às vezes antipalco, às vezes superpalco, chão de rosas, banho de pétalas. Canta como se fosse a primeira vez e última, entoa preces santas e pagãs, amores santos e vãos, saudades doces e malsãs. Bethânia é rainha e menina dançando solta imaginado o riachinho de Santo Amaro, a terra batida, o tambor caboclo, encanta a viola, Bethânia tão bonita como nunca. Tão bonita como seu país sem os tiros nos alegres inocentes da nossa terra morena.

O velho coração do vampiro cansado

Postado em Uncategorized em Junho 14, 2009 por capitaobacardi

Depois de muito tempo e discos de uma banda que a maioria das pessoas pensava durar uma estação, Marilyn Manson (a banda) lança em 2009 o The high end of low. Até aí nada. Todas as críticas e opiniões falavam de um certo cansaço, repetição da banda, muito baseada na estética de choque do seu anticristo preferido, Marilyn Manson (o homem (sic) à frente da banda). Mas eis que The high end of low dá uma certa resposta a isso. Cansaço sim, mas é desse esgotamento que nasce uma certa joia opaca. Desde “Man that you fear” que a banda demonstrava ser competente em “baladas” climáticas, vampíricas, góticas ou seja lá que adjetivo pode ser dado à mistura das guitarras  chorosas de Twiggy Ramirez (recém-retornado à banda) e teclados. As “baladas” sinalizaram sua beleza gótica em Mechanical animals, como em “The speed of pain” e “Coma White”. Tempos depois, elas sumiram (The golden age of grotesque) ou não alcançaram o mesmo patamar (Eat me, drink me). Faltava alguém: Twiggy Ramirez. Ele é “A” presença nos riffs espertos de “Arma… geddon” e nas muitas belas (?) baladas de The high end, a sedutora “Devour”, a quase inovadora “Four husted horses” e a mais bem feita, “Into the fire”. O fim com “15″ é mais do que perfeito. E do cansaço renasce um anticristo velho de guerra.

Imagem do IPB

13 fantasmas

Postado em Uncategorized em Maio 25, 2009 por capitaobacardi

A leitura como fantasma que nunca se descola, mas assombra e acompanha. Volta e meia esses personagens me olham pelos cantos, assaltam a minha memória, aparecem nos meus escritos, na minha expressão, quem sabe até nos meus modos…

Primeiro fantasma: Enquanto agonizo, de Wiliam Faulkner: os pregos na caixão da mãe ainda posso ouvir, um jeito seco e pra dentro de sentir, uma cumplicidade trágica da família.

Segundo fantasma: O lobo da estepe, de Hermann Hesse: uma vez fui um raro e nunca mais escapei dessa sina, o devir-lobo.

Terceiro fantasma: O Cristo recrucificado, de Nikos Kazantzákis: as marcas, os estigmas, o sacrifício redime ou reduz a vida? Qual o sentido de transfigurar-se? Quando se performatiza alguém, quem está no palco?

Quarto fantasma: Orlando, de Virginia Woolf: há algum tempo eu podia dizer páginas inteiras desse livro, imaginar Orlando passeando com seus cachorros elegantes, quantas vidas dentro de uma só, de uma só solidão.

Quinto fantasma: Crônica da casa assassinada, Lúcio Cardoso: partindo do princípio de que todos somos pecadores, só nos restam o tabu e os complexos.

Sexto fantasma: Fronteira, de Cornélio Penna: partindo do princípio de que todos somos pecadores, só nos restam as sombras.

Sétimo fantasma: Angústia, de Graciliano Ramos: nunca se é conhecido de si mesmo.

Oitavo fantasma: A outra volta do parafuso, de Henry James: o autor fabricou outras narrativas mais perfeitas, mas é na imperfeição que a perturbação surge, terrível, um horror que brota das palavras.

Nono fantasma: O buraco na parede, de Rubem Fonseca: secura, objetividade malsã, precisão de médico clandestino.

Décimo fantasma: Cemitério de elefantes, de Dalton Trevisan: somente com Dalton se aprende o que significa o abismo da palavra.

Décimo primeiro fantasma: O coração nas trevas, de Joseph Conrad: como o que acontece pode nos escapar?

Décimo segundo fantasma: Perturbação, de Thomas Bernhard: difícil separação deste imenso manicômio chamado mundo.

Décimo terceiro fantasma: Esaú e Jacó, Machado de Assis: às portas do século XX, uma história do duplo, da fraternidade e da discórdia.

A diferença

Postado em Uncategorized em Fevereiro 21, 2009 por capitaobacardi

De um lado (no Paço Imperial), a exposição em homenagem a Burle Marx: percorre-se as galerias com um misto de ordem no olhar e admiração pela beleza geométrica, por vezes uma geometria sinuosa, talvez “tropical”, inventada por Burle para inventar um Rio de Janeiro ao mesmo tempo cosmopolita e marinho. Em meio aos seus estudos, que didaticamente depreendem-se dos textos que aclaram a relação do artista com a idéia abstrata e o plano formal do traço geométrico, sente-se o Rio em que a brisa morna passeia, a orla de Copacabana, as divisórias do Aterro, seus jardins, os do Palácio Gustavo Capanema que anunciam essa onda, tudo confortado pelas paredes do Paço.

De outro (no Centro Cultural da Justiça Federal), a exposição sobre a arte das ruas do mundo (Parede – I festival de Pôster-arte do Rio de Janeiro): fecha-se sobre dois cômodos e uma cela contígua. Nas primeiras, a audição do barulho dos carros joga o visitante contra/de encontro às paredes repletas de colagens, pinturas, decalques, letras, palavras, frases, tudo uma espécie de grito, pletora de significado que processa toda a arte pop (não a Marylin de Andy Warhol, mas os Marylin Manson à la Warhol, não o Ceci n’est pas une pipe (Isto não é um cachimbo), de Magritte, mas a frase escrita como legenda para uma metralhadora). Monalisas em figurinhas, Machados de Assis, Clarices Lispector, bocas, bonecas, travecas, tudo em triplas, múltiplas reproduções até a exaustão. Não há conforto, mas falta de ar, essa exposição da arte aponta para a rua, longe do mar, a rua de concretos, pontes, viadutos das megalópoles, a avenida Brasil no seu longo curso, onde esta arte está, se esconde, se prega nos muros. A diferença entre estes espaços, mas do que fazer emanar de seu fundo um diálogo, identidades, paradoxos, contrastes, exala, no seu seio, uma constelação de dúvidas.

A contrautopia disco

Postado em Uncategorized em Fevereiro 11, 2009 por capitaobacardi

Sinal dos tempos? Escapismo diante do labirinto da América anglo-saxônica? Efemeridade pop? Modinha? My generation? Zeitgeist?

A dance do Obama