Arquivo para agosto, 2008

“The future of the future (still contains the past)”

Posted in Uncategorized on agosto 26, 2008 by capitaobacardi

Já vai algum tempinho que a Tracy Thorne do EBTG dizia o refrão aí em cima numa música. Hoje, tudo isto é um fato: estamos numa década (um milênio?) retrô – referências retrô, músicas retrô, retrovírus. Não sei se é sintoma dos ciclos históricos, uma espécie de retorno de Saturno no planeta, mas parece mesmo que o peso de dois séculos fez com que nos virássemos, com rabo de olho, para o passado. Revisar é uma ordem. Realmente acho que a discussão nem é se isso é bom ou ruim, mas sim o que faremos de nosso passado quando ele é o futuro? O sample logo dizia a que veio: remake, excertos de algo já feito dentro de algo “original”. Daí pro uso de velhos referenciais foi um pulo: o gótico de Tim Burton, neo-expressionismo nas artes etc. Na literatura, Silviano Santiago e seu “Em liberdade” pode ser considerado um marco desta visada do “presente” com os olhos do passado. Não consigo enxergar nada disso como nostalgia (pelo menos nas melhores coisas feitas), mas uma reciclagem do monte cultural que nos foi imposto e/ou comprado. Parece mesmo que vomitamos o farto banquete dos séculos. E não me pergunte sobre o futuro.

* Quando ouvi o Portishead pela primeira vez pude avaliar o que era o presente sendo invadido pelo passado. A decrepitude gerada por aquela massa sonora inspirava um sonho fantasmagórico que lembrava algum futuro perdido, uma idéia de futuro perdido. Um disco pop tinha a força que depois descobri num Walter Benjamin, por exemplo.

* Banda típica dessa época, o Broadcast:

Um dia, seremos todos tropicalistas… de novo.

Bati.

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Memorabilia Tijucana

Posted in Uncategorized on agosto 21, 2008 by capitaobacardi

Sei que a minha Tijuca não é a lendária do Tim Maia, Roberto & Erasmo, Jorge Benjor mas é a minha, só minha, quando eu era o reizinho da rua. O meu coração não pode ser cosmopolita (bem que tento), mas sempre caio no provincianismo mais rude. Não consigo me livrar disso: do chafariz da Praça Saens Peña dos anos 80, do Bruni Tijuca e sua descida em caracol aveludada até a sala de cinema (gritaria de êxtase), das escadarias (nunca subidas) do Carioca, da entrada clandestina (essas duas pilastras por onde você consegue passar…) na piscina do Tijuca Tênis Clube. Era só até às oito da noite que se praticava a brincadeira livre na rua pra um garoto de seis, oito anos… depois, não, ainda não era a violência, mas a lenda dos mortos no jardim da praça! E as badaladas no bronze da estátua que iam acordar os mortos-vivos. Realmente muita imaginação antes do Playstation e dos Cavaleiros do Zodíaco. Outro dia li numa reportagem sobre o fim da Casa Sian. Já vi também morrerem a Khalil M. Gebara, a imponente Sloper (cujas borrachinhas perfumadas enchiam meus bolsos secretamente…), a ladeira que levava a Sendas, as Casas da Banha tão no coração da praça com seus porquinhos sedutores na sacola de papel (depois substituídos pelos signos do zodíaco chinês). Antes da Almirante Cochrane, a Casa Mattos, para os dias de aula, material escolar. Tudo isso afundado como uma Atlântida. O que existe ainda é um certo espírito resistente da Tijuca concentrado na idéia de galerias (em lugar de shopping, que fica ali meio que… no Maracanã!), onde não apareceram os darks, os punks, os emos e os junkies. Se apareceram, ficaram pela Vila Isabel, pelo Méier. Aqui, essa velha senhora que vai a Igreja Santo Afonso, descansa no banco da praça e assiste às mudanças como a uma metamorfose das nuvens que eu via do telhado da casa da minha madrinha, as tardes de carne mole das brincadeiras da infância na vila.

* Uma saudade, uma promessa, um sabor do som da Tijuca de alguma forma impregnado, para mim: Max de Castro

Bati, com nostalgia da modernidade.

Who’s that girl, David?

Posted in Uncategorized on agosto 15, 2008 by capitaobacardi

Olha aí a minha correspondente internacional Miss Quadrilha dando suas impressões valiosas sobre a noite meditacional de David Lynch in Rio:

Capitão Bacardi: olha, aí, filha,

me escreve um e-mail sobre o q vc achou do Lynch pra eu pôr no blog tipo de uma correspondente social.

bjs!

Miss Quadrilha: O Lynch foi assim,

como ja era previsto foi uma humilhação, óbvio. eu fui acompanhar os amigos fans. e fui tb pedir um emprego  p/ david de atriz e ia pedir p/ ele autografar meu dvd de “who’s that girl?”. A gente  tava na fila. num lugar até bom, ainda nas dependências da loja. Uma vergonha aquelas pessoa horrorosa e horrenda na fila, uns debilóide filmando a fila, e filmando mal!! Uma vergonha. Aquilo não era lugar pra gente. De repente o homi chega e  não é que ele corta a fila justo eu tava. passou na minha frente! na minha frente, assim juntinho, 30cm! Uma emoção. ele é mo gatinho mesmo. Pena que não me viu. aí né…  aquela fila toda, o povo se amultuando, furando e coisa e tal, a gente resolveu ir lanchar e deixar de lado. quando acabou o lanche não é que o homem vem vindo de novo!  tava indo embora com a comitiva…  subiu a escadinha e foi!! eu confesso que agora eu me arrependi um pouquinho, preferia ter ficado lá na fila (por mais q  aquilo custasse  a minha dignidade) e autografado meu “who’s that girl” e ter dito “mr david I am a very good actress, for few money I can work for you”.  Não sei a reação dele mas eu pensei que ele podia só dizer “this movie is not mine” aí eu ia dizer “but it is a very good one” aí ele autrografava e bjo tchau!!

Miss Graveto Quadrilha é doutoranda em hermenêutica da distorção temporal pelo dept. de filosofia da FESP-RJ

Seu mais recente trabalho:

Ela bateu.

Qual o “seu” nome?

Posted in Uncategorized on agosto 12, 2008 by capitaobacardi

Um dos grandes mitos contemporâneos é o de “jogar tudo pro alto e curtir”. Junto dele, um é muito particular: o de ser uma outra pessoa. Gosto das histórias de identidade falsa, de você, geralmente por fuga, transformar-se num outro, outro nome, outra identidade. A experiência provavelmente é dolorosa, mas imaginá-la não. Assim como Fernando Pessoa inventou outros. É uma maneira de se observar, esse fetiche de se ver, se desejar, ser um outro para enfim ver-se. Parece natural: o desejo das máscaras, dos disfarces, sempre o desejo de si mesmo, de um si-mesmo: o auto-abraço, o auto-sexo, a auto-estima. Sendo dois para ser um inteiro. Inventar um nome é uma forma pra isso. Estamos na era da superexposição, do superespelhos, da superimagem, era dos blogs e dos orkuts. Desde a eclosão da arte da performance parece que a exibição atesta nosso fatal voyeurismo. A artista Cindy Sherman entendeu isso como ninguém:

Mas também ter outro nome, ser um outro é uma maneira de se descansar de si, de se afastar, de desaparecer. O disfarce e o falso nome, a fraude, são formas de desvancilhamento. Uma espécie de convalescença de si. * Uma homenagem a John Waters este clipe da Roísín Murphy.Viva Divine! Um sorriso de merda pra você:

* De filosofia barata é que se vive. Bati.

“Leia na minha camisa”

Posted in Uncategorized on agosto 3, 2008 by capitaobacardi

Parece ser um dos muitos mitos da juventude, desde os anos 60? Maybe. Outro dia me chamou a atenção na novela das 9, A favorita, uma das “meninas” da dona Cileide (sic) com uma camiseta preta onde aparecia o nome de várias mulheres da música pop, de Cat Power, Debbie Harry e outras muitas. Que vontade é essa de expressão do gosto, da atitude, de suas escolhas pela camiseta escrita? Uma espécie de outdoor pessoal. Já nas praia de Copacabana é fácil encontrar camisetas com frases humorísticas para os turistas: “Estica os olhos assim”, diz o vendedor pra compradora, “Que você vai ver escrito ‘Falta de sexo provoca problema de visão’.” Ela ri. Há pouco tempo eram as camisetas de salva-vidas onde estava escrito: “Salva-gatos” ou “Salva-gatas”, aí inventaram a ótima “Salva-gatos, afoga-feios” (essa na feira de São Cristóvão que também é pródiga em camisetas com escritos populares). As de banda são muito populares, mas raras e caras hoje em dia; na minha época, de um lado o pessoal da camiseta preta (Slayer, Sepultura, Pantera etc.), de outro os alternativos (Sonic Youth, Dinosaur Jr. e por aí vai). Agora tenho visto muitas do seu Madruga com várias expressões, mas a última que me conquistou foi a do sinal de proibido com o Freud dentro dizendo “Terapia não funciona”. As camisetas são, assim como o orkut, todo um outro continente do glossário da humanidade. Preste atenção. Pra entrar no clima, o clipe de camisetas do Justice (que é composto de designer):

* Pra quem não ouve rádio na Web, e mora no Rio, a Oi Fm é a opção do momento. Tocando de Coldplay a LCD soundsystem. Dá pra respirar. Alías, toca Justice também. Ficadica. (Adoro a expressão ‘ficadica’). Hit do momento: Invito ao Cielo, SYR. Brincadeirinha.

Bati.