Arquivo para outubro, 2008

Em círculos

Posted in Uncategorized on outubro 30, 2008 by capitaobacardi

A paixão de Ana (1969) é uma das coisas de que mais gosto do Bergman. É onde as inquietações anteriores e posteriores do diretor chegam à encruzilhada, mas, neste filme, os personagens não conseguem escolher caminhos: ou páram, ou rodam em círculos, ou se acidentam (externa e internamente). Pra quem um dia proferiu a frase “Amar é horrível ocupação”, este filme é reiterativo. Este é um filme sobre a paixão: seus personagens são levados a este beco sem saída de contarem apenas com suas vidas para algo que as ultrapassa e transpassa. Duas coisas são magníficas: a cena final, com o personagem de Max von Sydow (Andreas) andando em círculos, e a frase: “A coisa mais perversa para mim é tentar expressar a falta de expressão”. Sobre o filme, achei esta resenha explicativa interessante. O que admiro, e que neste filme está muito nítido, é a capacidade de Bergman de fazer ficções, de nunca deixar que o filme saia de seu sulco: escutamos o rumor do set de filmagem, os atores refletem sobre os personagens. E é exatamente isso, acho, essa independência, que deu a Bergman a possibilidade de cristalizar imagens-fetiche em Persona, Morangos silvestres, Gritos e sussurros só para ficar com alguns. O único filme assumidamente “biográfico”, ele só realizou no final da carreira: Fanny e Alexander. Mas isto não significa que a cada filme Bergman não pensasse em seus dramas pessoais (amores, política, arte). Porém, a marcação dos sulcos, antes de enquadrar os filmes, faz com que eles nos perfurem: numa das cenas de A paixão de Ana, vemos a personagem de Bibi Andersson (Eva) tocar um Lp na vitrola e, assim como Andreas, a agulha percorre os sulcos do Lp, andando no seu círculo, enquanto o assombro da paixão sai de sua fricção em forma de música. *

Falarei mais tarde do Portishead, mas deixo aqui, falando em filmes, o To kill a dead man, filme dirigido por Alexander Hemming e escrito, estrelado e musicado pelos Portishead.

Bati.

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Podcast Piloto

Posted in Uncategorized on outubro 29, 2008 by capitaobacardi

Olás,

Aí vai o primeiro e primal podcast. O programinha tem alguns defeitos, com a prática espero melhorar. Mas as músicas são boas: Portishead, Dizzee Rascal, Clementina, Ladytron e outros.

Curtam que breve vem o próximo!

Canastra Podcast Piloto

(Não é necessário fazer o download: o link te envia para o 4 shared, aí é só apertar a seta (play) do player embaixo do nome do arquivo, aumentar o volume e curtir).

Amygrafias-II

Posted in Uncategorized on outubro 23, 2008 by capitaobacardi

Amy visitando sua amiga no lixão de Jardim Gramacho. Escolheu o modelito de acordo com o ambiente da colega, que consideração amada Amy! Abaixo, Estamira recebendo Amy de braços abertos!

Aqui, Amy dando a egípcia nos fotógrafos:

Amygrafias-I

Posted in Uncategorized on outubro 23, 2008 by capitaobacardi

Sintam a vibe Amy “tree friend”

Amy “Macalé”

Amy fazendo “Frozen” da Madonna

…& Nico

Posted in Uncategorized on outubro 20, 2008 by capitaobacardi

Depois de um longo inverno, eis-me de volta para meus 0 leitores (talvez dois ou três). Ótimo, porque é para eles que eu escrevo. Mentira, é pra mim mesmo. Durante este tempo ouvi Nico. Também vi Bergman, mas isto deixo pra comentar depois. A sensação depois de ouvir Nico é a de que meio mundo das mulheres artistas interessantes de hoje (e um quarto pelo menos dos homens) devem suas idéias a esta mulher misteriosa, feita de gelo alemão (ou será húngaro? ou atlântido?). De Chelsea girl a Camera obscura, estão lá a divisão das sílabas musicais peculiares de uma Björk, o timbre metálico-grave de uma Sioux Sioux, a melancolia atmosférica de uma Beth Gibbons, mesmo um acento folk-abandonado das Cat Powers da vida. É perceptível a escolha de Nico por uma atmosfera “medieval”. Mesmo que as interrupções “pop”, que se mostram em seu álbum The end, teimem em aparecer, é em coisas como Chelsea girl, Desertshore e na absurdidade chamada Camera obscura (com a gloriosa ajuda do parceiro de Velvets desde a sua participação no clássico absoluto The Velvet Underground & Nico, a convite de Andy Warhol), John Cale, que dá pra sentir o arrepio da deusa da solidão. Nico morreu, dizem os comentários, em plena saúde, por um acidente tolo na época de seu tratamento pós-Rehab. O sol da melancolia a levou para sempre e não deixou que ela sorrisse, quebrando a tez de estátua. Para mais detalhes, indico essa pequena biografia:

http://www.musicianguide.com/biographies/1608004031/Nico.html

Para vocês sentirem a vibe “decadence”, Nico cantando “Heroes” de David Bowie.

É óbvio que não foi a Amy Winehouse que começou tudo isso… bati!